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Bioeconomy will help forest conservation

08/24/2020

Bioeconomy will help Brazil reduce external dependency and increase conservation

A CNI study shows that the country has the potential to be one of the main suppliers of high value-added products with biodiversity resources. Progress, however, requires improving the national innovation system
Brazil has several advantages to be a protagonist in the bioeconomy, which is based on the use of 4.0 technology to manufacture high value-added products with resources from biodiversity. Among the main ones is the fact that it is the country with the greatest biodiversity in the world, with 20% of all species on the planet, and has a scientific body of excellence in areas such as biofuels and biochemistry. This finding is in the study Bioeconomy and Brazilian Industry, by the National Confederation of Industry (CNI).
However, the study highlights that these advantages are not enough to make the bioeconomy advance consistently. “Among the main challenges is the construction of governance for the bioeconomy, which must be led by the federal government involving various ministries, industries, universities and research institutions”, says the president of CNI, Robson Braga de Andrade.
“This structure must have as a priority the expansion of the innovation system aimed at the biotechnology chain, with a focus on products with greater added value” - Robson Braga de Andrade.
The sense of urgency for this agenda, which had been growing timidly, increased during the coronavirus pandemic. On the one hand, this crisis brought the need for countries to review their external dependence on key inputs, such as extracts and reagents for the pharmaceutical and biochemical sectors. On the other hand, it intensified the search for the conservation of biodiversity resources to guarantee inputs and reduce the effects of the loss of biological diversity and climate change, the main causes of the increase in the frequency of pandemics around the world.

Advancement in bio economy depends on the expansion of the innovation framework of the biotechnology sector

Robson Braga de Andrade Presidente CNI

For Brazil, the bioeconomy brings other attractions, including valuing the Brazilian biodiversity brand and, consequently, contributing to improving the country's image abroad. These factors also contribute to facilitating the country's entry into the Organization for Economic Cooperation and Development (OECD) and the progress of the Mercosur and European Union agreement.
A way to make the bioeconomy agenda more agile in the country, according to the study, would be to allocate part of the investments in research, development and innovation in already consolidated chains in Brazil, such as products made from sugarcane, such as ethanol , and those based on forestry, such as paper and cellulose, in which the country is one of the world's largest producers.
Having this structure is a good start to evolve in the development of products with greater added value, such as bioplastics, dyes, lubricants, nanofibers and drugs. “It's time to plan and coordinate a State strategy to convert the potential of Brazilian biodiversity into generating jobs and income and increasing the competitiveness of Brazilian industry”, reinforces Andrade.
Despite the challenges, industries advance in products with higher added value

The CNI study points out that, through investments in innovation, the sugarcane production chain – currently with seven consolidated products – can develop at least another 11 product categories. They are: bioplastics, dyes, organic acids, amino acids, lubricants, drugs, enzymes, fragrances, cosmetics, detergents and solvents.
With an eye on this trend, practically the entire network of 27 SENAI Institutes of Innovation spread across the country has lines of research and development of products based on genetic resources from biodiversity. More recently, the SENAI Molecular Biology network was created with the involvement of 13 institutes to provide laboratory services for the diagnosis of the coronavirus. R$ 23 million were invested in the initiative.

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Rede de Biologia Molecular dos Institutos SENAI de Inovação têm linhas de pesquisa e desenvolvimento de produtos a partir de recursos genéticos da biodiversidade

Os institutos SENAI também se voltaram para a pesquisa de recursos da biodiversidade brasileira para a produção de insumos e reagentes para os setores farmacêutico, têxtil, entre outros, para suprir a carência do mercado interno.

Entre as inovações está um espessante para álcool em gel a partir da nanocelulose, desenvolvido pelo Instituto SENAI de Inovação em Biossintéticos e Fibras em parceria com a fabricante de papel e celulose Klabin e pela farmacêutica Apoteka. O produto substitui o carbopol, derivado do petróleo que não é desenvolvido no Brasil e que faltou no mercado durante a pandemia.

O avanço de cadeias mais sofisticadas da bioeconomia, como biotecnologia e biofármacos, depende de uma estrutura consolidada em biocombustíveis, já que as tecnologias para as cadeias de maior valor agregado são uma evolução das usadas para produção de etanol de segunda geração. E esse importante passo já foi dado pelo Brasil, que é pioneiro na produção de etanol celulósico. A Granbio, criada em 2011, foi desbravadora dessa tecnologia e construiu a primeira planta em escala comercial de etanol celulósico do mundo.

Batizada BioFlex® I, a biorrefinaria converte biomassa do resíduo de cana-de-açúcar, palha e bagaço em etanol 2G. Hoje, a empresa, que conta com unidades operacionais em Barra de São Miguel (AL), tem mais de 250 patentes na área de biotecnologia industrial. Entre os avanços tecnológicos mais significativos nos últimos tempos está a produção de nanocelulose, realizada na planta da companhia nos Estados Unidos.

Formada por minúsculas partículas de origem vegetal, abundante e facilmente renovável, pode ser usada para produzir peças leves, duráveis e resistentes. Com essas caraterísticas, o composto de dispersão de nanocelulose (NDC) é a nova aposta da empresa. O produto é desenvolvido a partir de qualquer tipo de biomassa, inclusive as derivadas da cana-de-açúcar, como a palha e o bagaço.

São inúmeras as aplicações que estão sendo desenvolvidas para o uso da nanocelulose, que é considerada a partícula verde do futuro. Uma das mais revolucionárias surgiu de parceria com a companhia indiana Birla Carbon, subsidiária americana da Aditya Birla, após três anos de pesquisas. As empresas criaram um material especial, feito de nanocelulose, que substitui o negro de fumo, um derivado do petróleo não renovável.

A nova tecnologia é responsável por reduzir em até 25% a resistência ao rolamento de pneus, o que garante menor consumo de combustível pelos veículos. A indústria de pneus responde por cerca de 70% do consumo global de negro de fumo e, há alguns anos, exige materiais sustentáveis, compatíveis e que possam ser facilmente incorporados às formulações destes produtos.

O projeto NDC foi nomeado em julho deste ano, pela European Rubber Journal, como uma das dez iniciativas com maior probabilidade de melhorar o perfil ambiental da indústria da borracha. A busca pelo uso de nanocelulose em borracha ocorre em todo o mundo há anos – e a Granbio foi a primeira a desenvolver e demonstrar a solução tecnológica para obter uma dispersão efetiva na formulação da borracha.

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A crise causada pela pandemia faz com que países revejam a dependência externa de insumos fundamentais
Cosméticos com ativos da biodiversidade amazônica

Na indústria de cosméticos, o grande ícone nacional é a Natura, uma das maiores no mundo dentro do emergente mercado da bioeconomia de alto valor agregado. Desde 2000, concebe produtos que se diferenciam no mercado pelo uso sustentável dos ativos da biodiversidade brasileira.

A intenção da empresa é unir, numa mesma cadeia produtiva, a ciência de ponta baseada em bioeconomia, biodiversidade e conhecimento tradicional das comunidades da Amazônia. Os bioativos amazônicos estão na matriz da pesquisa de inovação feita em plena floresta.

Essa relação é tão orgânica que, em 2018, 81% das matérias-primas das fórmulas da Natura tinham origem vegetal, o que torna os produtos da marca singulares dentro mercado global.

A linha Chronos, que se tornou um patrimônio consolidado da empresa, passou por significativas evoluções desde quando foi criada, em 1986. Isso é resultado de pesquisas que unem alta tecnologia, biodiversidade, ética no manejo das florestas e trato com as comunidades.

Dificilmente, um consumidor em Paris ou Tóquio, por exemplo, vai encontrar hidratantes à base de fevillea (ativo da biodiversidade brasileira), que não seja no catálogo da Natura. É o caso do Chronos Acqua Biohidratante, que tem, na composição, a preciosa fevillea. Estimulante dos mecanismos naturais de produção de ácido hialurônico, sua aplicação aumenta os níveis de água nas camadas mais profundas da pele.

“Quando iniciamos uma pesquisa de inovação para desenvolver o produto, como é o caso do Acqua, começamos com as missões às florestas, onde cientistas trocam saberes com as comunidades. Entre as iniciativas operadas pelos pesquisadores, ouve-se atentamente cada história para, depois, seguir na pesquisa das propriedades de folhas, frutos e sementes”, conta a diretora de Inovação, Roseli Mello.

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A Natura concebe cosméticos que se diferenciam no mercado pela ciência de ponta aliada ao conhecimento tradicional de comunidades amazônicas
Brasil precisa ser ágil para aproveitar as oportunidades da bioeconomia

Os exemplos acima comprovam o potencial brasileiro para evoluir para produtos de maior valor na bioeconomia. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), Thiago Falda, o Brasil tem, pela primeira vez na história, a chance de ser protagonista em uma das agendas que deve se tornar estratégica no pós-pandemia.

“Não fomos o primeiro país a produzir o automóvel, a desenvolver a indústria química nem a de informática, mas hoje estamos na vanguarda da bioeconomia avançada”, destaca Falda. “No entanto, para despontar efetivamente como um líder global da bioeconomia, o país precisa superar entraves, sobretudo, em inovação” complementa.

O estudo da CNI afirma que, apesar de avanços que contribuem para a agenda – como a aprovação da Lei da Biodiversidade, em 2015, e a entrada em vigor em 2019 do Programa Prioritário de Patentes Verdes, do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) –, eles são pontuais.

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, refoça: “É preciso trabalhar em todo o sistema de inovação, com foco no fortalecimento de ecossistemas voltados a setores estratégicos que permitam o país dar saltos de desenvolvimento”.

Pesquisa recente da CNI, encomendada ao Instituto FSB Pesquisa, comprova que a inovação será decisiva para acelerar a retomada da atividade e do crescimento da economia no Brasil. Dos mais de 400 líderes empresariais ouvidos, 83% afirmam que precisarão de mais inovação para crescer ou mesmo sobreviver no mundo pós-pandemia.